quinta-feira, 30 de maio de 2013

NOVA RONDON PACHECO É POSSÍVEL?

Novamente a Rondon Pacheco virou um ribeirão. Ribeirão São Pedro. Ele está lá. Vive, pulsa e arrastar tudo que está no seu curso. 


Inundação de 2013 - em Pleno Outono.


Gosto quando dizem que a cidade não foi planejada. Mostra ainda uma fé tamanha na técnica e no planejamento. Por outro lado, isso reforça meu ceticismo. O ceticismo, garante o questionamento na nossa "religião" moderna. A técnica, o planejamento, a ciência. Claro que estes itens são importantes. Mas colocá-los na perspectiva histórica ajuda a entender que as escolhas técnicas são manifestações de uma visão de mundo. 

Também não defendo a relativização de tudo. Mas voltemos ao Ribeirão São Pedro.  Vejamos: a Rondon é resultado de uma longa prática sanitarista que via as águas dos rios como vetor de disseminação de doenças e sujeira. A solução técnica para este problema, foi o modelo de canalização de diversos rios e ribeirões que cortam os centros urbanos e até periferia. 



FOTO AÉREA DE 2005
fonte: Marques, 2013. Imagem Google Earth, 2012


FOTO AÉREA DE 2010
fonte: Marques, 2013. Imagem Google Earth, 2012


E é uma tentação ao olharmos a topografia do leito de um rio e não imaginarmos uma bela avenida. Topografia uniforme, direcionamento óbvio de fluxos e largura considerável. 

A Avenida Rondon Pacheco é fruto deste modelo. Oriunda de um plano e que virou projeto. 

É aqui que vemos que a ciência avança. E que a técnica não é estática. Ela muda com o tempo pelo simples fato de que é resultado da ciência - manifestação humana inquieta por natureza. Portanto, não existe motivo para ficar estagnada. 

Aos tecnocratas e tecnistas de plantão... culpemos a política. E claro, que a dinâmica política atualmente não ajuda (seu imediatismo eleitoreiro impede discussões mais aprofundadas do tema). 

Mas o tempo tem mostrado - e não é de hoje - que o modelo de canalização das vias é um engano. Ao que tudo indica, a técnica para alargar vias, canalizações, dimensionamentos e etc, tem a necessidade de ser revista.  

O que faremos então? 

A cidade de Uberlândia se dispõe a deixar o Ribeirão São Pedro seguir seu curso natural? Estamos dispostos a retirar o asfalto, as construções e devolver o ribeirão ao ar livre?

O discurso de que tal solução é cara não tem mais fundamento. Pelo simples fato de que o que temos gasto para corrigir e reformar já teríamos devolvido o ribeirão à natureza

Claro que isso não tem que ser feito da noite para o dia. Há de se pautar um plano de pelo menos uns dez anos para que se devolva o ribeirão a algo próximo do que era antes (exatamente como antes nunca é possível!). 

Tal transtorno ainda assim pode vir a ocorrer pois há sempre o risco de um curso d´água transbordar. O que podemos é gerenciar isso, reduzir as probabilidades das ocorrências.

Novamente: o que temos gasto corrigindo este problema já teríamos garantido o saudável retorno do Ribeirão e a radical redução deste impacto

Lembremos que quanto mais tempo levamos a assumir tal solução a Rondon vai se tornando uma nova centralidade. Copiaremos assim, o centro de Uberaba, cravado também em um fundo de vale. 

Síntese das soluções para o Ribeirão São Pedro: 

1- política de manutenção de área permeável ou poços de captação de água; 
2- legislação que incentiva o uso da água de chuva e o armazenamento de parte desta água;
3- redesenho do Ribeirão São Pedro no sentido de devolver tal curso d´água à cidade; 
3- redirecionamento da nova centralidade que vem se instaurando na Avenida;

Até a próxima inundação! 
Data de registro: 30/05/2013.

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